Versos pra nós dois

12/09/2017
Postado por Denis Araujo

Quero contar que tenho pensado em você. Talvez mais do que deveria. Talvez menos do que poderia. Mas é fato que você tem passeado pelos meus pensamentos e, toda vez que isso acontece, vejo dois sorrisos: o teu, que habita os sonhos e o meu, que surge quando você toma conta das coisas por aqui.

Quero contar que tenho pensado em você. O gosto daquele beijo ainda está em mim. E vai ver eu não sou o único que ainda se lembra disso. Foi um beijo desencaixado, eu sei. Meio querendo, meio desejando, meio com medo, meio sem jeito. Mas foi do jeito que tinha que ser. Foi do jeito que somos. E sorrimos.

Foi quase como tiro certeiro, sem arrependimentos. Afinal, acho um desperdício não aproveitar cada segundo que a vida nos dá. E se naquele dia tivesse um segundo a mais, certamente seria de sua boca na minha. E talvez um par de risadas a mais. Ou de histórias a mais. Nunca de menos.

Porque me parece que de tédio nosso verbo não morre. Gosto de te ouvir falando dos teus desejos, do que você assistiu ontem na TV e de como parece que teu sapato anda te apertando os pés. Adoro reparar nos seus olhos quando me fita e não me deixa ir embora, quando parece que me ouvir falando do meu dia de trabalho ou do que gosto de comer parece ser a única coisa que importa naquele instante, em que habitamos a mesa entre nossos cafés, sonhos e poesias.

E por falar em poesia, posso escrever versos que não lhe cabem. E tudo bem. Não escrevo pra te levar comigo. Escrevo porque há quem diga que boas histórias fazem bons livros. Se me permite a ousadia, a nossa faria mais que uma trilogia dessas que vendem por aí. Escreveria minhas crônicas dos teus pés a cabeça, preencheria tua pele de beijos, amores, vontades e palavras. Me convenceria que linhas em branco são feitas para transbordar. E encheria cada espaço do teu ser com o que tenho de melhor.

Gosto de pensar que um bom poema é aquele que se escreve a dois. Sobre dois. Sobre dançar de pés descalços, sobre correr no parque, subir em árvore e ali ficar. Gosto de imaginar que ficar à dois é fazer poema, é não deixar o dia se perder em vão, é ter amor no peito, respirar carinho e sorrir no sorriso do outro. É dar sem esperar receber. É piscar de longe, ouvir de perto, saber que está tudo bem. E se não estiver, existe aqui um par de versos que posso lhe dizer que são só pra você. Porque dá vontade de nunca ver esse teu sorriso se apagar.

Pois bem. Há quem diga que o poeta é corajoso.

Só posso dizer que de medo este verbo não morre.

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