Um Brinde à Loucura

06/06/2016
Postado por Denis Araujo

brinde

Vou aproveitar que estamos aqui, sós, para te fazer um convite. Mas não é um convite qualquer. É um chamado para leveza, um ingresso para o que temos de mais intenso um no outro. Vamos deixar de lado tudo o que nos incomoda. Vamos deixar de lado tudo o que nos interrompe o riso. Vamos esquecer por tempo indeterminado, ou ao menos o tempo que durar esta noite, que temos milhares de obrigações, responsabilidades ou qualquer outra coisa que nos impede de dar um passo diferente aqui. Não me refiro a dar um passo em frente ou atrás, como se estivéssemos em cima de uma linha determinada. Falo de dar um passo fora dessa linha, fora desse padrão, além dos limites do que consideram certo ou errado por aí. Falo de nós, agora.

Veja, são nove da noite, acabamos de jantar neste restaurante incrível e esse malbec que pedimos foi o suficiente para deixar as ideias mais soltas nessa mesa. Hoje é segunda-feira, está chovendo e estamos há uma hora sem checar nossos celulares. Que tal fazermos melhor do que isso? Desligue o celular! Isso, desligue assim como acabei de fazer. Vamos nos esquecer do Whatsapp, Facebook, Instagram, SMS, Pinterest e ligações perdidas. De perdidos, ficaremos apenas nós dois e mais ninguém. Esqueça check-in, foto dos nossos pratos e snap para as amigas. Vamos nos perder no esquecimento de tudo e todos. Vamos nos sentir aqui juntos como se nada mais existisse. Não, não é o vinho que me embriagou. O que me deixou com as palavras afloradas não foram os goles nessa taça de cristal. Foi a possibilidade de vivermos sem nos preocupar com o que vem depois, muito menos com o que dizem por aí.

Você não cansa de rotina? De acordar na mesma hora durante a semana, de enfrentar o metrô lotado e sentar na cadeira do escritório para fazer algo que já não te brilha mais os olhos? Não te incomoda o fato de que tenha ficado presa entre reuniões e horas extras para conseguir pagar a fatura de cartão de crédito no fim do mês? Não te aborrece ir aos mesmos encontros que acabam sempre do mesmo jeito? Hoje eu vim aqui para quebrar o que chamam de rotina. Pra ser sincero, não ligo pra sua reunião com o cliente amanhã às dez e meia. Neste momento, estou cancelando na minha memória o papo com o meu chefe às nove. Quero saber apenas da nossa reunião aqui, da nossa união ali e da nossa agenda desta noite. Respire e sinta que o mundo que acontece lá fora é muito menor do que acontece neste momento entre nós nessa mesa. É difícil, eu sei. Seu pai não gosta quando você volta muito tarde em dia de semana e meus amigos de república acham estranho quando ligo a noite dizendo para não me esperarem com a porta aberta. Só hoje, quero imaginar que o mundo acontece somente entre nós e esse brinde que estamos dando agora.

Vamos lá, esse sorriso de canto de boca e esse olhar para baixo não me enganam. Você não consegue esconder que também deseja o mesmo. Como? Se não estou preocupado com tudo isso que vem acontecendo na minha vida? Claro que sim! Me pesa todos os dias saber que tenho dezenas de problemas. Somente gostaria de fingir que nada disso existe e brincar de que somos somente nós dois num mundo louco, vivendo a nossa loucura particular. Hoje, neste instante e até que a vontade nos separe, ninguém dirá o que devemos fazer. Quero brincar de não olhar o relógio, quero me esquecer do tempo que corre sem parar e parar, neste momento, qualquer obstáculo que possa surgir.

Que tal esquecer o amanhã e viver o presente? Eu tenho uma mão cheia ideias, um caderno cheio de desejos e um plano concreto: que hoje nunca falte amor, paixão e vontade. Se faltar, a gente enche de novo. Quero te ouvir, quero te sentir e quero sorrir com teu sorriso no meu, antes de tudo se transformar em rotina novamente, antes mesmo de você checar todas essas quarenta e sete mensagens que apitaram no seu celular. Quero que elas se transformem em cem, duzentas ou trezentas, porque aqui a mensagem é outra. Vem!

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