Sinto muito

14/08/2017
Postado por Thais Dorigon

Não te peço nada mais do que calma e paciência. É difícil entender o que se passa aqui dentro, porque é tanta coisa.
É muita coisa mesmo.

Eu sei que o encontro tem que ser uma delícia. Estar apaixonado é andar nas nuvens, e quase sempre, eu te arrebento de cara no chão.
É porque eu estou aqui ainda, tentando me recuperar de um terremoto que me derrubou. Tentando me libertar dos escombros pesados que caíram sobre mim.

Mas sabe de uma coisa? Cada vez que acho que estou livre pra caminhar, descubro um pedacinho que ainda prende e me esmaga um pouquinho. Ainda tenho muita dificuldade. Mas vou respirando e devagarinho arrasto um por um dos meus pesos.
Tenho esperança de sair daqui.

Será que você poderia me esperar?
Será que você esperaria assistindo toda essa minha falta de jeito para me desprender do que me domina e limita ou será que você poderia oferecer uma mãozinha de vez em quando?
Não ligue se em algum momento eu parecer tão cansada que jogo tudo para o alto. Vou voltar pra pegar, eu juro.
Vou juntar toda a bagunça que eu fiz, com consciência que sou um caos e ninguém tem a obrigação de entender o que sinto.

Prometo reparar todo o mal que você passar. Com você aqui vou me esforçar pra sair rapidinho e ser quem você merece, sabe? Mas também cansa ter que te convencer, quando tudo o que eu queria era que você se juntasse a mim.
Queria mesmo era que você tirasse os sapatos, sentasse ao meu lado e me ajudasse a desatar todos os nós que sobraram.

Dizem que duas cabeças pensam melhor que duas. Será que dois corações conseguem curar a dor de uma alma?

Vou me sentir boba, insegura e sozinha, por mais que você esteja ao meu lado. Mas juro que passa. Tenho muito carinho pra te oferecer, e apesar de todas as minhas feridas, na maioria das vezes me importarei mais com as suas. Todo o mal que já passei fez que eu entendesse como é importante estender a mão. Por isso, por mais que haja algum dia em que eu esteja soterrada, minha mão ainda estará esticada para sentir a sua.

Não vou prolongar mais o meu discurso, até porque gostaria muito que você ficasse sem eu ter que dizer nada. Pelo meu silêncio, pelo instante em que a gente se sente entre um beijo e outro, pelo afago no rosto. Por todas as nossas piadas e como é gostosa a paz que nos domina sempre que estamos juntos.

Se você se for, eu vou entender. O tempo passa rápido demais pra gente parar no problema de outra pessoa.
Está tudo bem, de verdade. O que existe em mim, não vai morrer e se afogar.
Acho que nem tenho mais lágrimas pra isso. Vou ficar uma ou duas semanas sem forças pra tentar sair daqui, mas sei que vou continuar tentando logo em seguida.

Mas se eu puder confessar, digo que sinto.
Sinto por sua pele que combina tanto com a minha, sinto pelo meu carinho que tanto quer ser seu. Sinto pelo seu cheiro que fica em mim toda vez que você se vai, sinto por como isso me faz sentir viva. Sinto pelo seu sorriso largo e sua graça boba que me faz esquecer todo o peso que suportei até hoje. Sinto por não conseguir te dizer nem metade do que me fez chegar aqui, porque sinto que o pouco que falei já te fez pensar em ir embora. Sinto por te assustar, sinto por não querer que nada disso tivesse acontecido. Sinto por não ser leve e simples, sinto por te deixar confuso e chateado.

Sinto muito por sentir tanto.
Sinto porque o carinho vai até a página cinco, onde começam a aparecer os problemas. Sinto por não sentir segurança, e mais ainda, por medo de nunca vir a sentir. Sinto muito por sentir um golpe no coração quando você diz que ainda não sente o suficiente. Mas sinto mil vezes mais por não saber se sou capaz de ser quem espera seu coração despertar e enxergar que eu estou aqui tentando.
Sinto tanto, tanto, que prefiro não sentir mais nada.

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