Quem sabe, coração

15/11/2016
Postado por Denis Araujo

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Olá, peito meu. Tem um coração batendo aí dentro? Sabe, tenho ouvido ele tão pouco ultimamente. Escuta coração, você está aí? Foram tantas coisas difíceis que vivemos, eu sei. Sei que está aí, encolhido, atordoado. Faz muito tempo que você brilhou da última vez, agora parece que só chove aqui dentro com essas nuvens carregadas.

E eu te entendo. Quando foi a última vez em que você viveu algo real? Nos preenchemos de falsas sensações para evitar que as dores verdadeiras nos atinjam. O vazio parece tão mais doce que o copo cheio. O meio cheio está suficiente. O superficial parece tão mais bonito… Opa, ganhei dois likes! Porque parece que é isso que importa: ser visto, ser notado, mostrar-se pro mundo como em um reality show individual, aguardando o aplauso, o afago, o elogio. Aí vem o coração na tela. Na tela. Um coração que acende no positivo, no amor virtual de quem se contenta com pouco.

Mas não um coração que nem você, que sente. Nós não. Nós gostamos do sabor, do toque, do perfume, de escutar e realmente enxergar. Vai ver é por isso mesmo que você está assim nessa armadura, para proteger-se. Estar assim tem uma resposta: você nunca sente. Mas também nunca quebra, não é mesmo?

Sentimos falta do primeiro beijo, da conquista que leva ao quarto, da intimidade sem máscaras, da troca sincera. Mas tudo que temos hoje é um cardápio de pessoas com páginas que vão à esquerda e à direita. É bom viver assim, não vamos negar. Mas aquela batida forte não lhe chega dessa forma, em casas que nunca mais entrará, em camas que não irá mais deitar. Você se guardou pelos golpes que sofreu, mas acho que é hora de sair. Mesmo com medo, talvez seja hora de respirar as flores desse jardim e perceber que, mesmo assustado, existem tantos outros assustados assim como você. E que a vida é isso mesmo. A gente cai, se protege, aprende e vai por aí.

Escuta, coração, aí do seu lado tem uma mala. Uma bagagem só sua, que vem nesse carrinho de empurrar. Venha com ela. E quando a ansiedade for alta, aperte a alça com força: dessa forma se lembrará de quem você é, de onde veio. Vamos sem enfeites, a vida é tão mais linda sem esse circo todo. Mas não se amarre a esta mala, ok? Ela é um lembrete e não uma prisão!

E quem sabe numa estrada. Quem sabe em um caminho. Quem sabe entre erros e acertos.

Quem sabe umas histórias mais sentidas, mais vividas, mais queridas.

Quem sabe um sorriso.

Quem sabe, coração.

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