Por um ano menos trouxa

10/01/2017
Postado por Denis Araujo

Não sou do tipo que faz promessas. Tenho dificuldade em fazer uma lista de desejos no início do ano pois sempre acho que vou me frustrar em algum momento por não tê-la realizado. Vai ver sou muito inconstante para esse tipo de coisa. Tem gente que culpa o signo, mas prefiro culpar a mim mesmo, no meu inconsciente, subconsciente e consciente pleno. Somos responsáveis por nossos atos, então, vou deixar meus astros e constelações em paz.

Porém, resolvi que esse ano tentarei algo novo, inédito. Um lançamento em rede nacional, com holofotes acesos e microfone ligado em frente ao espelho: este ano serei menos trouxa! Sim, serei. E pode ter certeza que em Dezembro voltarei a este espaço em que vejo meu reflexo e terei a convicção de que realmente realizei essa pequena promessa. Não prometerei nada a você, mas sim, a mim mesmo.

Porque sou herói e vilão da minha própria vida. Sim, eu, que da mesma forma que levanto para fazer meu café, tomar um banho e ir trabalhar com dignidade, fico esperando a noite pela mensagem do crush que nunca vem. Pois é, eu mesmo, que consigo estar na companhia de grandes amigos no bar à noite e continuo saindo com gente que só me coloca para baixo no dia seguinte.

O ano tem trezentos e sessenta e cinco dias. E posso apostar que nos últimos anos devo ter sido trouxa em muitos deles. Lembro de quando achei que estava sendo amado quando, na verdade, estava sendo desamado por aí. Lembro, também, de quando achei que receberia uma promoção quando, na verdade, ganhava cada vez mais trabalho para ganhar cada vez menos no bolso. E aquela mensagem visualizada e não respondida? Foram muitas. E quantas pessoas incríveis eu deixei de dar a devida atenção por estar “ocupado demais” sendo trouxa por aí?

O pior tipo de trouxa é aquele que o faz consigo mesmo. Já que é assim, que tal se a gente parasse de se sabotar tanto?

Tire um segundo para pensar e me responda: onde foram parar os seus sonhos? E aquela sua vontade de viajar? E aquele curso que queria fazer? E aquela saia que deixou de vestir por se importar demais com a opinião alheia? Há quanto tempo não faz aquela reunião com os amigos pra tomar cerveja e jogar conversa fora? E aquele jantar com a família só para dizer que os ama? E aquele livro que encostou ao lado da cama e nunca mais abriu na página dez que você certamente parou?

E se a gente realmente lesse todos os livros que a gente quer? E se a gente assistisse aos filmes que ganham o Oscar como sempre falamos em todos os anos? E se a gente parasse de dar atenção para quem não merece?

E se a gente simplesmente parasse de dar tanta importância pro desimportante? E se a gente abrisse o peito agora, neste instante, para dar uns tapas no coração e fazê-lo viver algo sincero, puro e verdadeiro, ao invés de ficar preso a um relacionamento cansado e desbotado, que você sabe muito bem que não está te levando a lugar algum?

A vida realmente não é feita de Ses. Mas ela certamente é feita de vontade, uma bela dose de coragem e autoconfiança. Portanto, para este ano farei uma única promessa: serei menos trouxa, porque ser trouxa todo ano é difícil demais.

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