O que era mesmo?

04/10/2016
Postado por Denis Araujo

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Ufa, como é bom chegar em casa! Aquele seu primo não parava de falar né? Sempre inventando aquelas histórias de quando ele era jogador de futebol. O que será que ele vai inventar da próxima vez? Que era pra ele ter sido astronauta quando era mais jovem? Cada uma. Ei, por que você está assim de cabeça baixa? Veio em silêncio no carro durante todo o caminho, parece que comeu algo e não gostou. O que? Outra vez com dor de cabeça, meu amor? Você e suas dores quando estamos a sós. Quer me contar alguma coisa? Não, eu não quero retomar a briga de ontem, não mesmo. Já nos entendemos, não? Está tudo bem? Não quer conversar? Tudo bem pra mim.

Eu só acho engraçado que… É, é sempre assim. A gente fica bem na frente dos seus pais, eu finjo que sou amigo dos seus irmãos, voltamos pra casa em silêncio e pinta esse climão aqui na sala. Mal joguei minhas chaves no cinzeiro da mesa e você joga suas dores pra cima de mim. O que acontece entre nós? Sim, eu realmente queria entender. Sim. Sim, eu sei. Não, não me venha com esse papo de novo de que eu mudei. O que eu mudei? Ah, eu era mais tranquilo, mais “de boa” como você gosta de dizer. Eu sou o mesmo de dois anos atrás, só estou, digamos… Mais experiente! E se eu mudei, foi por você. Claro que foi por você! Eu queria fazer tudo isso aqui dar certo, mas parece não dar a mínima.

Disse que precisava de espaço, eu me afastei. Disse que precisava de amor, eu dei. Disse que estava sozinha, me juntei. Disse que era muita pressão, aliviei. Disse que eu estava ausente, me aproximei. E agora você me diz que mudei?! Decida-se! Eu fico confuso assim. Estou te enlouquecendo, mas você também está me fazendo ficar com um parafuso a menos. É isso que você quer? Que fiquemos todos malucos e nosso relacionamento se transforme num manicômio? Assim não dá pra mim. Nem pra você. Nem pros nossos vizinhos, já viu que horas são? Isso não é hora de casal brigar, mas a gente faz isso quase sempre né?

Teu primo queria ser astronauta, mas o lunático aqui sou eu. Vai ver é por isso que te amei tanto: te vi numa estrela, mas, de repente, se apagou. Eu só queria entender… O que acontece entre nós? Já não nos reconheço mais. Não, a culpa hoje não é das estrelas. A culpa é sua. O que? Pois é, e o que você fez por nós? Eu que te pergunto! Pergunto mesmo, estou aqui esperando a resposta. Amor, abaixa esse travesseiro. Vai, joga, quero ver! Ei, para de me jogar essas coisas! Tá querendo bagunçar nossa casa mais que a nossa vida? É isso mesmo, se quiser fazer isso terá de revirar toda a mobília de ponta cabeça. Ei, se você jogar mais essa almofada eu vou embora! (…)

Oi, sou eu. Sim, eu. Se estou bem? Não muito. E você? É, eu imagino. Eu só queria te perguntar uma coisa: por que é que a gente tava brigando ontem mesmo? Ah, vai ter um jantar hoje nos seus pais às oito e meia? Fechado, passo aí às sete.

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