O outro lado de um ponto final

02/08/2016
Postado por Denis Araujo

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Hoje de manhã me peguei rasgando suas cartas e apagando suas mensagens no whatsapp. Queria mesmo era rasgar suas roupas e ouvir dos seus lábios que ainda somos um do outro, sem pestanejar. Mas me peguei apagando suas promessas em papel de caderno, que estavam guardadas naquela caixa dentro da gaveta do meu guarda-roupa. Naquela, fechada com chave, que fica ao lado daquela caixa cheia de ingressos de cinemas e shows que compartilhamos. Naquele espaço do meu coração, em que coloquei a chave em suas mãos e pedi para cuidar com amor. No começo do mês você me devolveu essa chave e hoje de manhã me peguei pensando em ti.

Porque ainda me parece um pouco surreal terminar tudo. A expressão decidida em seu rosto para dizer as palavras que nunca quis ouvir me assustou, confesso. Seu rosto meigo tornou-se pálido ao dizer que não nos veríamos mais, ao mesmo tempo em que suas mãos ficaram frias como nosso relacionamento nos últimos tempos, geladas como seus olhos fitando os meus, irreconhecíveis. Nos últimos tempos, me construí tanto em você que, diante destes fragmentos daquilo que sobrou de mim, não me reconheço mais. Naquele café do shopping, deixamos um pedaço de nós em cima da mesa quando fomos embora um do outro.

Em meio a este turbilhão de sentimentos, vou me resgatando pouco a pouco entre uma lágrima aqui e um suspiro ali. Respiro fundo, porque colocar um ponto final num livro de tantas páginas não é fácil. E é quando o peito aperta e fecho os olhos no travesseiro, que percebo o quanto sinto sua falta. Precisei tomar alguns porres com o pessoal ontem para parar de chorar e conseguir dormir.

Mas hoje, enquanto deleto um “eu te amo” do meu celular e desmancho outro “quero você pra sempre” com as mãos, vejo que foi melhor assim. Me sinto leve sem suas dúvidas, me sinto bem melhor longe do seu jeito de me tratar. A quem quero enganar? O coração é idiota por achar que um relacionamento desbotado ainda pode colorir meus dias. Hoje sei que não quero viver um amor assim, desses que maltratam nosso peito e confundem nossa mente. Hoje quero me amar e no dia que me apaixonar por outro alguém novamente, quero viver um amor leve, simples como um copo de cerveja despreocupado, com risos de encher a boca e paixão em forma de melodia.

Dói muito não ter você comigo, é fato. Dói  muito não ter mais seus pés para esquentar os meus em dias frios. Dói muito não ter seu beijo, seu afago e seu abraço. Mas sabe, vai doer até o dia que não doer mais. Até o dia em que tudo se transformar em uma boa memória. E este sou eu me convencendo disso, enquanto rasgo suas palavras em forma de carta, enquanto sigo com a minha vida longe da sua. Afinal, um ponto final encerra um livro, mas nunca encerra uma caneta que procura outras folhas para escrever por aí.

 

*Essa crônica é o lado B do ponto final da semana passada, que você pode conferir no link:

Sobre pontos finais

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