O mito da Friendzone

13/01/2015
Postado por Marina Barbieri

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Não é de hoje que as pessoas possuem uma terrível dificuldade em conseguirem se responsabilizar pelas suas próprias vidas. Qualquer infortúnio, a culpa é sempre do outro. E quando não tem nem outro para culpar, a culpa é de Deus, do destino, do universo, do caralho a quatro; mas nunca da própria pessoa. Sinto-me na obrigação de começar esse texto com uma das lições mais importantes que já aprendi: Tudo o que acontece na sua vida, absolutamente tudo, é culpa única e exclusivamente sua e de mais ninguém.
Estamos entendidos quanto a isso?  Ok, então podemos continuar.

No momento em que você conhece uma pessoa do sexo oposto (ou dependendo da sua opção sexual, do mesmo sexo) você automaticamente a classifica em uma das três categorias:

Interessante
Aquela pessoa que fisicamente tem todos os atributos para que vocês futuramente se envolvam sentimentalmente ou apenas sexualmente.
Essa pessoa já começa na vantagem das outras pessoas.
Semi-interessante
Aquela pessoa que pode não ter todos os atributos, mas que pelo menos, possui algum ou alguns.
Desinteressante
Aquela pessoa que não possui nenhum atributo físico que te atraia ou que possua algum atributo grande que você desgoste exacerbadamente.

É importante deixar claro que as duas primeiras classificações acima estão sujeitas a mudanças (apenas essas). Uma pessoa que de primeira entrou em uma categoria, pode no segundo seguinte mudar para outra.

Todos nós fazermos parte dessas categorias nas listas imaginária das pessoas que conhecemos e convivemos. Não tem como escapar. Para qualquer relação amorosa, é necessário sentir tesão pela outra pessoa. Não existe nenhuma possibilidade de manter uma relação feliz e verdadeira, se aquela pessoa nem ao menos te atrai fisicamente. É o início de tudo, é de onde surge a vontade do primeiro beijo, da primeira transa, dos primeiros sentimentos (não necessariamente nessa ordem). Nem sempre o belo é o chamariz do interesse, às vezes pequenos detalhes como um sorriso, uma tatuagem, uma parte do corpo específica, são o suficiente para faiscar o desejo inicial. E depois vem então todas aquelas etapas que já conhecemos: A conquista mútua, a rendição igualmente mútua e etc.

Logo após as classificações iniciais de âmbito exclusivamente físico, vem as classificações sociais. Conforme vamos conhecendo as pessoas, vamos classificando-as como amigos, melhores amigos, conhecidos, grandissíssimos filhos da puta, colegas de trabalho e etc.

Classificações essas que vem com o tempo e conforme vamos conhecendo as pessoas.

3friendzone-muchomachoA friend zone acontece justamente quando as classificações feitas por uma pessoa, não batem com as da outra. João classificou Maria como a número 1 na sua lista de interessante, enquanto Maria o classificou como desinteressante, mas além disso, o classificou socialmente como apto a manter alguma outra relação, seja como um amigo, melhor amigo, conhecido ou colega de trabalho.

É justo culpar Maria por não sentir atração por João?

Óbvio que não! As pessoas possuem total direito de simplesmente não nos quererem. Não importa o quão bom sejamos ou o quão fortes e verdadeiros sejam nossos sentimentos. É sempre opção do outro não nos querer. A rejeição é uma merda, rasga o coração em 18 pedacinhos, mas a aceitação é necessária.

Não é porque alguém não te acha suficientemente interessante, que você seja completamente desinteressante. Você apenas não é para aquela pessoa, e acredite, todo mundo é desinteressante para alguém. Por mais inteligente, linda e rica que seja uma pessoa, haverá outra para não querê-la. Assim é a vida. Acostume-se!

O principal discurso de alguém que não consegue aceitar uma rejeição dolorosa e culpa o outro por isso, é a de que a outra pessoa é que não sabe escolher parceiro e que não enxerga os atributos que o rejeitado tem a oferecer.
Na verdade é justamente o oposto. Todos estamos suscetíveis a desilusões amorosas, mas o primeiro passo para um envolvimento, é escolher um alvo que possua minimamente interesse em nós, e nesse ponto, a pessoa que se pôs na friend zone não conseguiu nem isso.
E a outra pessoa sabe sim o que podemos oferecer, ela apenas não quer. E é direito dela não querer.

Se aquela pessoa gosta de você, gosta da sua presença, gosta do que você fala, pensa e expõe, pode gostar apenas disso e só. Não tem nenhuma obrigação de sentir algum desejo sexual por você, o que não faz dela uma sem coração, bitch do caralho, vagaranha de quinta ou kenga arrombada.

dawson_cryingDificilmente alguém que possui algum carinho por você, falará na sua cara algo desnecessário com o único propósito de quebrar seu coração, então sinto-me na obrigação de falar: Ninguém nesse mundinho em que vivemos, deixará de se envolver com alguém unicamente pela amizade de ambos.
A amizade é apenas uma desculpa para não ferir cruelmente o outro e não há mal algum nisso. A rejeição já é ruim por si só, então não há necessidade de piora-la ainda mais. Dizer para o outro “eu não vou me envolver com você porque você é feio demais/gordo demais/fede a ônibus lotado em horário de rush demais”, não trará nenhum benefício a situação de merda e nem a nenhum dos envolvidos. Então ao invés de ficar puto dentro das calças pela desculpa esfarrapada, sinta-se bem pela consideração que a pessoa teve até mesmo na hora de te rejeitar. É sinal de que a outra pessoa tem sim sentimentos por você, eles apenas não são os que você gostaria que fossem.

Da mesma forma que é direito da outra pessoa não querer se envolver com você, é direito seu também não querer uma amizade, e a friend zone é justamente quando a pessoa esquece desse direito e se expõe a situações desnecessárias e dolorosas por pura falta de vontade de sair da mesma.

Há sim pessoas sugadoras, que necessitam da bajulação alheia 24 horas por dia, independente se isso machuca o outro ou não, mas se permitir ser o capacho da situação é culpa sua e de mais ninguém. As pessoas só fazem com a gente, o que deixamos que elas façam.

O friend zone nada mais é, do que uma forma deturpada de maquilar a tão temida rejeição ao invés de encará-la e aceitar que faz parte da vida e que o erro não é da outra pessoa, mas sim de você mesmo que fantasiou algo que nunca existiu, não existe e nem vai existir e que além disso, ainda deixou a infeliz situação chegar a níveis catastróficos de humilhação e falta de amor próprio pelo medo de se responsabilizar e seguir em frente. A culpa é sua.

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