O Amor é uma máquina mortífera

07/03/2015
Postado por Convidado

MCDLEWE WB009

O ano é 1989. Mel Gibson, no auge de sua forma e carisma de astro de cinema, entra no mercadinho, vê Rika, seu par amoroso, uma linda secretária interpretada por Patsy Kensit (procure no Google, vale a pena, eu aguardo) segurando uma cesta que tem alguns legumes e frutas. Eles flertam um pouco e ele pergunta por que ela está comprando tão poucos itens. Com um sotaque sul- africano e um olhar capaz de forçar a natureza a acelerar a chegada da puberdade em 50.000 meninos de 10 anos, ela responde:

Porque eu nunca sei o que terei vontade de comer no dia seguinte.

Pronto. Essa é a lição mais importante que você deve aprender sobre relacionamentos, e ela não está em “E O Vento Levou”, “Titanic” ou uma das dezenas de comédias românticas que saem todos os anos. Ela está em Máquina fucking Mortífera 2.

E qual a lição? Esta: os seres humanos são imprevisíveis. Por quê? Porque nem eles sabem direito o que querem. E quando sabem, ninguém garante quanto tempo isso vai durar. Essa imprevisibilidade do desejo é o que deixa o jogo do amor tão excitante. Ou assustador. Decidir de que lado do muro você se encontra é uma das grandes questões filosóficas do nosso tempo.

Eu, por exemplo, já fiz as pazes com o fato de que gosto de surpresas. Ou sustos: dois casamentos, o segundo deles marcado aos 2 meses de namoro, e dois divórcios, o segundo deles pedido por mim após 6 longos meses de vida matrimonial.

Como Rika, eu também não sabia o que (ou quem) eu teria vontade de comer no dia seguinte. Mas ao contrário dela, eu não comprei poucos itens e fui logo enchendo o meu carrinho com um compromisso que deveria ser para o resto da vida. Uma atitude irresponsável e idiota? Óbvio. Uma experiência que aumentou minha coragem e autoconfiança? Hell yeah.

No final, tanto faz você saber o que quer, quando quer, quanto quer num relacionamento. As surpresas virão, e elas não se importam se você as convidou para passar um feriado em sua casa ou se você trancou as portas, as janelas os olhos e o coração. Elas vão aparecer sem avisar (senão não seriam surpresas, dã). E elas podem ser inesquecíveis ou traumáticas. Afinal, o nome surpresa vem da combinação do francês surprendre, de sur, “sobre”, e prendre, “pegar, prender”, do latim prehendere, “agarrar, prender, pegar à força”. Imagine o que o bandido sente quando está achando que escapou e o Mel Gibson, com revólver em mãos, pula de um muro em cima dele. Surpresa é isso. E um bom namoro também.

Texto enviado pelo meu convidado e amigo Luiz Acacio Galeazzo.

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