O amor e a merda

02/02/2015
Postado por Marina Barbieri

cutepoo

Recentemente me peguei pensando sobre o que é o amor enquanto eu e meu namorado nos indagávamos sobre o que um faria pelo outro. Até que chegamos na pergunta decisiva: Se eu estivesse impossibilitada de me limpar depois de ir ao banheiro, você me limparia?

Não que ele fosse a minha primeira opção e nem que isso um dia vá acontecer (por favor, vida, NÃO!), mas amor se prova mesmo é na merda. Amar o lindo, o limpo, o cheiroso, o agradável, só as qualidades é muito fácil. Qualquer um ama. Quero ver amar no perrengue, no difícil, na bosta, nos defeitos.
Chegar na merda de uma pessoa, é chegar no pior que existe dentro dela. Literalmente!

Sua mãe, por exemplo, te ama mais do que qualquer outra pessoa, e não por acaso ela foi a pessoa que mais limpou a sua bunda na vida. Sempre com um sorriso na cara, um coração explodindo de amor e toda a felicidade do mundo. Porra, sua mãe te ama pra caralho! Na próxima vez em que for discutir com ela, lembre-se disso e agradeça por ela nunca ter te deixado cagado. Sério, você realmente deveria agradecê-la por isso.

Somos feitos de qualidades e defeitos. Não dá para querer se desfazer dos defeitos e ficar só com as qualidades. Se você bota um produto no carrinho, tem que aceitar absolutamente todos os ingredientes. E não só aceitar ou suportar, como também ainda amar cada particularidade podre e fétida daquele ser humano. Se você não ama por inteiro, é porque então não ama. Amor não se faz de metade. Ele é inteiro, é completo e absoluto.

Sabe aquela menina linda que você conheceu na festinha do seu amigo? Aquela de cabelos bem cuidados, pele impecável, corpo escultural, cheirosa, que ama os animais, que beija como um anjo, transa como a Sylvia Saint e de quebra ainda é obstinada, inteligente e geniosa? Pois é, ela acordando tem mal hálito, parece a Linda Blair no papel de Regan e o bom humor só vem depois do meio dia. Ela também é possessiva, teimosa, barraqueira, tem tendências suicidas e depois de correr na esteira vai estar fedendo mais que roupa molhada esquecida na máquina de lavar. E aí, meu jovem, você ainda a ama ou o seu amor parou nas qualidades da mocinha?

Sabe aquele rapaz que você conheceu através da sua amiga e que parece bom demais pra ser verdade? Ele é realmente bom demais pra ser verdade. Ele tem sim todas as qualidades que você procura, mas elas são suficientes para que os defeitos se tornem irrelevantes diante de todo o conjunto que ele é? Ok, você o amaria na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê; mas também o amaria na pobreza, na feiura, na mentira, no problema de ereção e na diarreia depois de comer camarão estragado na praia?

O que quero dizer não é que precisamos aceitar todo e qualquer defeito de uma pessoa; mas sim que ao invés de procurarmos alguém com as qualidades X que julgamos fundamentais, talvez seja mais inteligente procurarmos alguém com os defeitos Y que podemos conviver e aprender a amar. Afinal, todo o bom que vier, será agradável e bem vindo. Sendo assim, talvez o amor não esteja no bom, mas sim no pior das pessoas.

E claro, devemos também procurar alguém que limpe nossas bundas, caso algum dia precisemos. Afinal, nunca se sabe quando podemos quebrar os dois braços ao mesmo tempo.

E você aí que nunca achou que leria um texto sobre amor e merda juntos, hein?

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