No dia em que não puder mais amar

19/09/2017
Postado por Denis Araujo

Quero ser louco no dia em que não puder mais amar. Quero esquecer que um dia já te quis, que um dia sonhei com teu beijo e que um dia dormi nos teus braços. Quero ter a certeza de que aquelas músicas não foram feitas para nós dois. Quero saber, no fundo do peito, que tudo que vivemos não passou de uma miragem, que vai ver estávamos todos malucos e que tudo não passou de um sonho.

Quero ser louco no dia em que não puder mais amar. Quero inventar que vi a roda dos ventos nos teus olhos, esquecer que um dia já quis te levar para o Japão e que o melhor brigadeiro é aquele que fazemos no sábado à noite quando nenhum de nós quer sair de casa. Quero que me forcem a apagar os sorrisos que demos colados um no outro, nas vezes em que andamos de mãos dadas ou cantamos alto no karaokê.

Quero ser louco no dia em que não puder mais amar. Quero que me digam que nenhuma de nossas noites na cama existiu. Quero que alguém pendure na minha parede a placa da loucura, que nunca transamos perdidamente e que nunca ficamos os dois de conversa mole pós sexo, quando nada fora daquelas paredes parecia importar. Nada. Nem o boleto pra pagar, nem o emprego mal remunerado e muito menos sua mãe reclamando.

Quero ser louco no dia em que não puder mais amar. Quero ser eletrocutado, tomar tapa na cara e banho de água fria. Quero que comentem sobre a grande piada que é o nosso amor. Quero que me peçam pra contar daquela vez que fingi ir dormir pensando em você. Ou de quando acordei depois de sonhar com sua boca. Quero fechar os olhos e dizer que aquele tanto de abraço apertado nunca significou nada, que tudo foi um erro, um sintoma. E que tudo aquilo que construímos juntos não passou de um devaneio.

Quero ser louco no dia em que não puder mais amar. Quero rasgar dinheiro, machucar as flores, quebrar o vaso e sair despedaçado.

Quero ser louco no dia em que me disserem que não posso mais amar. Quero sair nu pela rua, andar descalço em chão quente e pular na estrada mais perigosa.

Quero ser louco no dia em que não puder te amar. E se me proibirem de fazê-lo, que me tratem como doente. Porque, de verdade, eu nunca ouvi falar em curar um ser humano de amar o outro.

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