Maturidade alimentar e sentimental

22/03/2016
Postado por Convidado

Eating Breakfast

Com toda a certeza já lhe aconteceu seguir um plano alimentar, sentir-se feliz com os resultados que vai obtendo e a determinada altura, deparar-se com um obstáculo imprevisto: um lanche em casa de uns familiares ou amigos, farto em gordura e pastéis de massa folhada; ou um momento de carência emocional, em que nada vê em casa senão aquela caixa de bombons que lhe ofereceram no natal. A sua resistência é posta à prova vezes sem conta, eu sei, mas naquele dia não consegue corresponder como gostaria e acaba por ceder à tentação. Até aqui tudo bem: garanto que todos temos momentos destes – todos, sem excepção. O que me preocupa é o que se segue a estes momentos e que pode ser o principal obstáculo no caminho da perda de peso. Ao contrário do que seria desejável, é muito comum, a seguir a uma recaída destas, aplicar-se o ditado “perdido por cem, perdido por mil”.

Nestes casos, um pensamento muito frequente a seguir ao momento de fraqueza é: “Já estraguei a minha dieta, a asneira está feita, por isso posso continuar a pecar. Amanhã retomo o plano alimentar que seguia.” Mas quantas vezes o consegue fazer? As pessoas, sobretudo as mulheres, apoiam-se muitas vezes num marco temporal para minimizar o peso na consciência e desfrutar dos momentos que se seguem sem culpa: “posso comer o que me apetecer, desde que a partir da meia-noite volte à minha dieta”, mas à meia-noite a carruagem transforma-se em abóbora e gera-se um problema desnecessário- o abandono das regras alimentares dia após dia até deixarem sequer de ser uma preocupação.
Se já lhe aconteceu, sobretudo se teve lugar mais de uma vez, porque não usa essa experiência para aprender? Em todas as questões da vida, aprendemos com os nossos erros, conseguimos levantar-nos depois das quedas e preparar-nos para as evitar mais facilmente no futuro. É o que lhe sugiro também no campo da alimentação: use as más experiências para saber o que não quer que lhe volte a acontecer.

Para esta questão criei um conceito simbólico de “maturidade alimentar”, que parte de saber que pode tropeçar mas também que dispõe de todas as ferramentas necessárias para que, ainda que possa voltar a tropeçar, não voltará a cair. Assim, se cometer um grande excesso que não tinha planeado, pense no bem que lhe soube e não se culpe mais do que uns breves minutos. Saboreie-o ao máximo e depois use a sua energia para o deixar perdido no caminho que retomará sem outra preocupação que não a de regressar ao caminho rectilíneo e compensador que pretende prosseguir.

 

Texto da nossa parceira, a blogueira e escritora portuguesa Ana Bravo do blog Nutrição com Coração.

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