It’s a Match!

05/07/2017
Postado por Convidado

Em tempos de Tinder, Happn, Kickoff, entre tantos outros aplicativos fica cada vez mais difícil falar de relacionamento. Aliás, me atrevo a dizer que está cada vez mais complicado falar de amor. Bauman nós alertou os sobre os amores líquidos e a fragilidade dos laços afetivos no tempos modernos, mas quem deu ouvidos?

Para alguns o amor não passa de uma série de reações químicas. A teoria se baseia do seguinte modo, quando estamos apaixonados nosso organismo produz grandes doses de três substâncias: dopamina, norepinefrina e feniletilamina. São anfetaminas naturais responsáveis pela sensação de euforia. Entretanto, a explicação científica é tão simplista, qualquer indivíduo que já se apaixonou sabe que é muito mais do que isso. Se é que ainda lembra o que é isso.

Os tímidos dirão que os aplicativos revolucionaram a forma de se relacionar. Afinal estamos todos correndo, trabalhando muito, sendo bombardeados com informações por todos os lados e tudo precisa ser otimizado. Nosso tempo tem que ser otimizado. Então, o que poderia ser melhor do que encontrar o príncipe encantado deslizando o dedo para direto ou para esquerda. Ou encontrar apenas um amor para hoje, pode ser também.

Todos dizem desejar o amor verdadeiro, “the one and only”, mas você quer mesmo alguém que divida a vida com você ou apenas deseja postar por ai o seu “happy ending” ? Estamos “coisificando” pessoas, confundindo realidade com cenas de cinema, com os belíssimos contos de fadas. Me diga quantas vezes você já entrou nesses aplicativos por tédio? Confesso que já fiz isso muitas vezes e a questão é exatamente essa. Nesse joguinho de direita e esquerda esquecemos que estamos lidando com pessoas.

Chega o inverno e logo surgem as postagens pedindo por companhia para esquentar as noites frias. Pense de novo, você quer um cobertor ou alguém para dividir momentos? E o amor? Como fica nessa história toda? Talvez tenha que se adaptar aos novos tempos, talvez a gente precise de mais olho no olho e menos vista cansada de tanto encarar o computador. Talvez você ame muitos durante a vida ou apenas um. Talvez seja só por um mês, um dia, quem sabe. Só sei que se entregar para preencher o vazio, esse vazio do cobertor em noites frias, não é o mesmo do que amar.

Não existe metade da laranja, existe você um ser humano completo procurando por outro ser humano completo para dividir momentos. E quem sabe uma vida? Temos que parar de tratar as pessoas como livros na prateleira, e não me entenda mal já que eu amo os meus livros, mas tiro da prateleira apenas o que quero ler naquele dia e os outros ficam por lá, esperando para serem lidos de novo.

Não estou recriminando os aplicativos, gosto bastante deles e uso alguns, inclusive. Sugiro apenas uma reflexão, você quer uma pessoa ou um pote de Nutella? Sinta-se completo sozinho, assim quando bater a vontade de alguém, por hoje ou pra vida, vai ser de verdade. E tudo de verdade é bem mais gostoso. Pelo menos não precisa do cabo usb para recarregar a bateria e nem deixa vista cansada.

Texto enviado pela leitora Erika Herdy.
medium.com/@erikaherdy

Os textos deste site pertencem exclusivamente aos seus autores e estão protegidos por copyright. É proibida a cópia integral ou parcial do seu conteúdo, sem a autorização prévia do autor, mesmo que citando a fonte.

Deixe seu comentário: