Imagine só

25/07/2017
Postado por Denis Araujo

Imagine só. A gente se conhece numa noite qualquer, dessas que a gente imagina que nada vai acontecer. As luzes piscam, as pessoas dançam e o tempo para pra nós dois. Só pra nós dois. A gente se encontra, no tempo certo, sem esse lamento de que o crush não nos nota. A gente percebe a cor dos olhos, o tempero da boca, o sorriso torto e o cabelo embaraçado. E tudo bem, faz parte do charme. Este é o charme, real, sem essa de esnobar pra ser charmoso.

Imagine só. Meu nome é este mesmo, sem invenções. Você me diz sua idade e fala que baladas já não fazem mais parte do seu vocabulário. Eu dou risada, falo que estou ali apenas para a despedida de solteiro de um amigo e que eu nem bebo. Nós nem falamos de signo, nem tocamos no assunto de eu ser de Escorpião e você de Áries. A gente deixa isso pra lá. E a gente se beija. E como beijamos bem. Eu fico sem graça. Você me dá seu telefone e os números são reais, sem invenções.

Imagine só. Trocamos mensagens na hora que a gente tem vontade, sem essa de esperar a melhor hora. O melhor momento é quando a gente quer. Nós somos o que somos e fazemos aquilo que temos vontade. Nós não visualizamos as mensagens e deixamos sem resposta. Não. A gente responde na hora que é possível, na chamada melhor hora para nós dois.

Imagine só. Nós nos encontramos na semana seguinte com atraso. Não porque a gente queria atrasar, mas é porque realmente a semana foi puxada. Você teve sim suas reuniões na agência e eu tive sim os meus compromissos no escritório. Mas tudo bem, estamos aqui e tudo está bem. Eu te olho nos olhos, você segura minha mão. Sem medo de olhar nos olhos. Sem medo de segurar na mão. Sem medo de respirar. O cinema é uma droga, filme chato, canadense, lento. Não importa. Eu dou risada, você gosta de pipoca. Dividimos o refrigerante sem pestanejar.

Imagine só. Temos nossas vidas além de nós dois, mas isso não nos impede de estar juntos. Te convido para assistir Netflix, você puxa uma coberta, eu te ajeito no sofá. Ligamos um som, eu beijo teus lábios, não disse quais. Nos comemos, nos engolimos e nos aproveitamos. Game of Thrones? Nem assistimos.

Imagine só. A gente se respeita. A gente compreende o tempo do outro, a gente se acolhe e fica. Sem jogos, sem trapaças. Nos comunicamos. Eu sou solteiro, saí de um relacionamento há pouco tempo, mas nada me impede de querer me apaixonar novamente. Você quer deletar seus aplicativos de pegação e procura um amor pra chamar de seu. A gente deixa rolar. Conhecemos outras pessoas, provamos outras bocas, mas nada se compara. Bom mesmo é quando estamos juntos.

E imagine só. Ficamos juntos um pouco mais. Te digo que tenho medo de escuro, você tem medo de altura. Ambos gostamos de Raça Negra e odiamos gente mal educada. Você diz que me ama. Eu digo que ainda não temos nada sério, mas o que é sério? Também te amo. Não vou conhecer seus pais. Não quero. E tudo bem, você não tem intenção de conhecer os meus agora. Vem, vai começar House of Cards. Nem vimos. Você pediu para eu fechar os olhos. Suspirei.

Imagine só. Será bom enquanto durar.

O tempo que for.

Porque o tempo, esse malandro, é sincero o tempo inteiro.

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