Hoje eu quero repetir você

14/02/2017
Postado por Denis Araujo

De todos os nomes na minha lista de contatos, o seu é aquele que ainda não consegui apagar. Talvez tenha sido o primeiro que adicionei na agenda e, agora, tornou-se o último número a deletar. Eu sei, nós não estamos juntos. E eu sei, nossa relação talvez tenha sido das mais difíceis que já vivemos. Tantas coisas diferentes, tantas diferenças na forma de bater o peito, tantas opiniões divergentes nos sonhos que nunca se encaixaram. Você querer A e eu querer B transformou-se em nossa rotina, que pouco a pouco levou tudo que tínhamos: a amizade, o respeito e o futuro.

Mas de todos os nomes na minha lista de contatos, o seu é o que sempre me faz incendiar por dentro e por fora. É nas noites solitárias entre a série repetida no Netflix e a recusa no convite para sair em qualquer balada por aí, que resolvo deslizar o dedo entre os nomes na minha agenda, sonhando com sua mão deslizando pelas minhas linhas peito abaixo. Cada letra que compõe seu nome e sobrenome me faz desejar um alfabeto só nosso para matar essa carência.

E ainda que me digam que remembers nunca são saudáveis, te escrevo mesmo assim. Afinal, hoje quero me acabar em você. Se por um acaso eu vier a me desgraçar após te ver, será responsabilidade do meu coração te esquecer.

Porque te tirar do meu peito é fácil, difícil é fazer você sair da minha cabeça. O complicado parece mais gostoso e nós somos assim, deliciosos juntos. Minha cama faz mais barulho na sua presença e não há como negar. Não te darei flores, sabe que não sou assim. E nem espero que me chame para sair. Quero esquecer que nossos signos não batem, que nossos gostos musicais não se parecem e que odiamos a mãe um do outro. A única coisa que quero saber é dos nossos lábios dançando no escuro, do quanto seu corpo encaixa no meu e do quanto nossa química faz qualquer sexo na Terra parecer insignificante.

Porque sim, hoje eu quero te repetir mais uma vez e vou te desejar aqui. Quero te ver, com intuito de foder você e não de foder com a vida. Não estou te prendendo, é fato. Quem seria eu para fazer isso?! Se fosse para te prender, faria isso na cama mais tarde.

Se estou maluco, me diga. E aproveita para me dizer, também, que não pensa no mesmo. Aproveita e me conta que nunca mais pensou em nós dois nas noites em que a cama parecia tão grande e vazia. Me conta com detalhes que nunca pensou em nós nas manhãs em que o chuveiro fazia bater aquela saudade. E se for me dizer tudo isso, espero que venha me contar ao pé do ouvido, como a gente gostava naquelas horas de fechar os olhos com força, de respirar fundo, de apertar os lençóis e perder o ar.

Ainda que nossas loucuras sejam tão distintas, quero provar do seu hospício mais uma vez. Só mais uma vez. E não prometo ser a última.

Vem?

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