Existe tempo mínimo para o amor?

11/10/2015
Postado por Divã DR

tempoamor

Da caixa de e-mail do Deu Ruim:

“Olá Marina tudo bom ?

Te contar um pouco da minha história. Conheci o R. tem quase 2 meses. Fomos no primeiro encontro ao cinema, e nesse dia mesmo ele roubou um beijo meu depois do jantar. Bom, até aí tudo bem. Saímos na quinta, sexta, sábado e domingo. Foi o fim de semana mais incrível que já vivi até hoje. Bom, durante a semana nós vimos duas vezes e no outro fim de semana já fui a sua casa e conheci sua mãe, sua irmã e sobrinhos, porém fui apresentado apenas como amigo, apesar de sua sexualidade ser transparente com a sua família (a minha não). Bom, na terceira semana ele já me chamava de namorado (com essas palavras). Fui novamente pra sua casa e participei do almoço em família dele de domingo. Confesso que fiquei assustado em conhecer sua família toda de forma tão rápida (convenhamos, quem tem todo mundo como especial não tem ninguém como especial). Mas até aí tudo bem. Ele me apresentou aos seus melhores amigos como namorado, e na semana passada ele falou que me ama! Diz que até fica emocionado quando pensa em mim. Ele é um cara muito carinhoso, atencioso e legal, mas ninguém é tão assim com alguém durante o primeiro mês. Ele diz que já me adora e arrisca até um te amo, e eu sempre com o pé atrás porque não quero amar alguém que me amou de forma relâmpago (ao meu ver tudo que é relâmpago se vai embora de forma relâmpago também). Só que de tanto eu lutar pra não me apaixonar por medo de me machucar, acabei que me apaixonei 🙁

Agora a gente passa todo fim de semana juntos”


 Marina responde:

Tô tentando entender qual é o problema e até agora ainda não entendi.

Você está preocupado porque o cara por quem você está apaixonado também demonstra estar apaixonado por você? Onde mesmo que isso é um problema?

Quem foi que te disse essa besteira de que “tudo que vem de forma relâmpago vai de forma relâmpago”? De qual filme de Hollywood você tirou isso? Porque você quer racionalizar o amor, que é algo totalmente emocional?

Deixa eu te falar uma coisa: o amor não segue regras.
A gente pode tentar impor normas para o amor, porque é isso o que fazemos com tudo (como somos burros), mas ele acontece sem pedir nossa permissão, sem seguir o script, sem se importar com o que programamos para ele.

Um relacionamento vai embora não porque ele veio rápido, mas porque as pessoas envolvidas não quiseram mais. Não tem mistério.
A culpa não é do amor. A culpa não é do tempo. A culpa é das pessoas.

Sabe, conheço duas pessoas que quando se conheceram, cagaram baldes para essa besteira de “tempo mínimo para o amor” (repare como isso soa ridículo), namoraram desde o primeiro encontro e com três meses de namoro, foram morar juntos. E estão juntos até hoje.
Quanto tempo faz isso? 30 e tantos anos.
Quem são eles? São meus pais.

Desde que as pessoas possuam sincera vontade de fazer aquele relacionamento dar certo, nada mais importa.

O tempo que você perde problematizando o que deveria ser simples, você poderia estar curtindo, se entregando, amando e sendo amado.
Mas não, você está preocupado em impor normas, dizendo coisas como “ninguém é tão assim com alguém durante o primeiro mês”. Quer dizer que agora você responde por todas as pessoas do mundo?

Talvez você não seja. Talvez você tenha aprendido com pessoas desconfiadas, pessoas que não sabem se entregar, pessoas mornas, pessoas que para serem felizes passam a vida esperando pelo o que nem elas sabem.

Para de bobagem! Se entrega, amigo, e deixa o depois para depois.

Você pode se foder? Pode, claro. Esse risco sempre existe. Sempre!
Não existe certeza. Não existe garantia. Nunca vai existir.
E essa é a graça da vida.
Você não pode controlá-la.

Mas se amanhã você quebrar a cara, pelo menos ontem e hoje você foi feliz. Pelo menos você amou e foi amado. A felicidade é composta por momentos bons. Não é uma constância. 

Mas se você for o tipo de pessoa que por medo de sofrer, prefere não ser feliz nunca, então só tenho a lamentar por você. Só posso te dizer que as possibilidades que existem fora da zona de conforto são incríveis.

P.s: Já parou para pensar que talvez você esteja arrumando motivos para não se relacionar com esse rapaz, por medo de ter que se abrir com a sua família sobre a sua sexualidade? Afinal, ele é transparente com a família e amigos dele e se vocês estrarem em um relacionamento sério, ele provavelmente tentará te ajudar a fazer o mesmo.
Talvez o seu medo mesmo não tenha nada a ver com ele, mas sim com você mesmo.
Pense nisso.

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