Eu Sei. Você Sabe.

15/02/2016
Postado por Denis Araujo

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São quase duas da madrugada e essa festa parece estar apenas no início. Ainda tem gente chegando, a cerveja está gelando, ainda nem colocaram Haikaiss na vitrola e estamos aqui dividindo o sofá, nossas histórias e esse drink que buscamos no bar improvisado embaixo da escada. Tem gente reclamando do ar condicionado, supostamente bastante frio. Mas não aqui entre nós. Se o gelo desse copo pudesse dizer alguma coisa, certamente derreteria antes de fazê-lo. O toque da sua mão sobre a minha provoca esse incêndio repentino. Eu sei. Você sabe.

Entre nosso papo e sintonia, pessoas vão e vem, como se quisessem nos roubar a todo instante. Se acomodam entre nós, puxam papo, oferecem cerveja e parecem não entender o que acontece por aqui. Aquele cara que te olhou desde que entrou por aquela porta continua te admirando, mas você não dá a mínima, como essa moça que passa por mim e insiste em encostar a ponta dos dedos em meu cabelo. Em vão, porque sei o que quero. E você sabe o que quer. Nós dois sabemos. Onde está a nossa deixa? Aquela em que você me olha como se me dissesse que sim, quando eu te roubo em meus braços e nada mais existe. Um par de risadas depois, finalmente ligaram a música num ritmo mais a nossa cara. Vem comigo, pode continuar segurando meu braço, gosto assim. Deixa essa Filosofia de Boteco rolar solta, já se foram dois copos de vodka e um copo de whisky. Vem comigo pra essa pista lotada, porque agora é somente entre nós dois e mais ninguém.

Você sabe, eu sei. Esse toque apertado no meu braço, esse sussurro no meu ouvido, essas unhas que raspam minha camiseta como se quisessem encontrar logo a minha pele pra chamar de sua, pra se vestir nela como pijama de seda. Esses olhos que se perdem no fundo dos meus, que querem nadar pra dentro de mim, nesse mar de desejo chamado “nós”. Nesse encontro dos nossos lábios que ardem como fogo, que queimam como chocolate quente quando encosta na ponta da língua, do mesmo jeito quando a minha encontra a sua e explodimos os dois de vontade.

E tudo isso é somente numa dança, em uma festa em que finalmente nos achamos em nós. Imagina quando a gente se convidar pra dançar na festa que é o seu quarto, no ritmo frenético da nossa vontade, sob as batidas de dois corações que palpitam juntos, na percussão do nosso desejo. Falta ar na leitura, sobra vontade nas palavras. Você me tira o ar. Eu sei, você sabe.

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