Entre vírgulas

13/12/2016
Postado por Denis Araujo

Título. Parágrafo. Não. Espere um pouco. Não há parágrafos na história de nós dois. Mal existem espaçamentos porque, na história de nós dois, nunca queremos ficar longe. Você sabe. Eu também sei. Mas como esse texto fala sobre vírgulas, coloco aqui uma, mais uma e paro. Porque entre nós existem vírgulas até demais e estou um pouco cansado das suas pausas.

Porque a vontade que tenho é de fazer uma crônica com você numa sequência única. Sem firulas, sem figuras de linguagem, só a sua figura sobre a minha e mais nada. Porém, para contar sobre nós, preciso desamarrar um pouco esse papo de desamar porque, aqui, não há desamor. Somente fogo. Incendeio ao pensar em você, nesse teu jeito doce de querer a mim e mais ninguém. E gosto quando me conta das suas faíscas ao imaginar tudo aquilo que quer fazer comigo, e que pretende por um ponto no fim da frase para manter o mistério.

Se estivéssemos no dicionário, estaríamos contidos entre a letra D de desejo e R de razão, mas é possível, também, inverter o marcador da página e dizer que estamos os dois abraçados na letra T, bem grande. Vou te dizer que a gente merece um dicionário inteiro porque o que há entre nós dois é difícil de explicar.

Joguei no Google sobre você e eu, e ele retornou “você quis dizer complicado?”. E mesmo que me diga que é complicado, penso que complicado é não viver. Entre a tv em preto e branco e o céu em azul de arco-íris, fico com o segundo. Me agradam mais as cores quentes do que as frias, o céu de verão ao céu de escuridão. Quando procuro o que há entre as vírgulas de nós dois, minha pesquisa somente diz que não encontrou nenhum documento correspondente. Me recomendou que tentasse usar outras palavras-chave. Usei vontade, joguei no chão a camisa, você tirou a calcinha, nos amarramos num lençol, caíram os travesseiros no chão e só não caíram as paredes porque as metáforas do que somos resolveram segurá-las um pouco mais.

Me encho de sílabas tônicas para falar da intensidade do que queremos num instante aqui e agora. Sim, é sim, porque quero falar do que temos vontade, mas primeiro um suspiro de quando você puxa meu cabelo, dois suspiros quando meus dedos passeiam pelos seus e você fecha os olhos. Somos feito música, somos um Caetano debaixo do mesmo teto, somos Elis dançando no escuro, somos um rap do Haikaiss quando queremos, somos versos do 5 a Seco nos versos de nós dois.

Mas somente quando somos, somente quando queremos. Porque quando não existimos, fica o disco rodando sem voz.

E de tédio morreu o verbo. Porque entre nós existem vírgulas até demais e estou um pouco cansado das suas pausas.

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