Entre passos e descompassos, nós

14/06/2016
Postado por Denis Araujo

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O que houve entre você e eu não tem muita explicação. E penso que seja melhor assim, afinal algumas coisas na vida merecem ficar no subjetivo. Mas é certo que houve sim algo, mesmo que breve, mesmo que em pouco tempo. E nesse tempo frio que se nega a aquecer com a nossa ausência iminente, não quero pensar que não nos veremos mais a partir de amanhã, já que temos de ir embora. Quero pensar que o que temos de melhor é o que temos agora, no vento que faz lá fora, no calor que sentimos aqui dentro, na cerveja que nos servimos e nos nossos dedos entrelaçados.

Sim, porque em um mundo repleto de descompassos, raras são as vezes em que os ponteiros se encaixam da forma em que meu sorriso encontrou o seu deste jeito inesperado. E aqui fomos encontrar um compasso nosso, entre um oi desajeitado e um abraço apertado na hora de ir. De alguma forma, sabemos que isso não foi feito para prosseguir, mas sequer imaginávamos que isso um dia viria a acontecer. Ainda que ambos tenhamos vontade de mexer na ampulheta do tempo e continuar a virá-la de um lado para o outro para que a areia não se esgote, lá no fundo o que podemos fazer é colocar algumas palavras nesta folha de nossas histórias, pois aqui sim acontecemos. E não, não vou me perguntar “por que não deu certo?”, como geralmente as pessoas fazem quando aquela pessoa do encontro da noite passada nunca mais ligou.

Porque isso que eu chamo de “dar certo”, afinal demos certo até aqui neste momento. E não precisamos conversar a respeito do que somos ou o que temos, pois talvez não seja você o problema e nem eu. Na verdade, não há um problema nestas últimas linhas desta página que vamos rabiscando. Vamos deixar assim pois é assim o que podemos ter. Diria que está perfeito. Portanto, deixa assim. Nesta mesa, quero deixar com você o que tenho de melhor: meu riso. Quero compartilhar histórias do passado para que saiba que estive em sua vida da melhor forma. E gosto quando mexe no cabelo e olha para baixo, desconcertada na timidez que rege seus sentidos. E no seu sentido, me fale mais de você, me conte o que te faz feliz e o que te faz abraçar o travesseiro nas noites insones. Entre o seu copo meio vazio e o meu, quero deixar uma garrafa de bons sentimentos. Que tal se a gente dissesse algo que nunca dissemos antes? Não, não coloque suas cartas aqui pois também não seria justo se eu apresentasse as minhas.

Infelizmente, algumas coisas não foram feitas para ir além, ainda que, lá no fundo, nosso beijo tenha paralisado o tempo entre o cruzamento da avenida principal e a entrada do metrô. Igual ao fim de uma boa leitura, em que queremos que as linhas não acabem nunca em ponto final e que os verbos findem em novas ações. Como em um bom filme que, quando chega ao final, ficamos sentados na poltrona do cinema aguardando alguma cena secreta e incrível durante os créditos. Geralmente não sou bom em imaginar que nunca mais vai acontecer. Prefiro pensar que durou o suficiente para ser especial.

E o depois? Bom, o depois já é outra história, porque essa página já terminou.

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