É impossível não gostar do carioca

04/03/2016
Postado por Marina Barbieri

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Semana passada completei dois anos de São Paulo. Dois anos que larguei tudo no Rio de Janeiro e vim tentar a sorte na terra da garoa. Não posso reclamar muito de SP. Estou sendo feliz amorosamente e profissionalmente de um jeito que nunca havia sido antes.
SP é a terra para trabalhar, não é? A terra das oportunidades, do dinheiro, do crescimento. Quer ganhar dinheiro? Então venha pra São Paulo.

Alguns lugares tem disso, não é? São específicos para uma finalidade.
São Paulo é o lugar para trabalhar.
Bahia é o lugar para curtir e festar.
Minas Gerais é o lugar para comer.
Santa Catarina é o lugar para encher a cara.
Mas se o seu objetivo for fazer amigos, ah… Aí você tem que ir pro Rio de Janeiro.

Você pode até não gostar do Rio de Janeiro, mas é impossível não gostar do carioca.

O carioca é aquele cara que quando te conhece te dá dois beijos no rosto e um abraço bem apertado.
Porque só aperto de mão é frio demais pro carioca.
O carioca é aquele cara que te conhece hoje e já te chama pra social na casa dele mais tarde.
E no meio da noite te convida pra dormir lá porque amanhã vocês aproveitam e pegam uma praia juntos.
O carioca é aquele cara que nunca está apressado ou atrasado demais para te dar uma mãozinha, uma forcinha, uma ajudinha.
O carioca adora diminutivos, porque sabe que nenhum compromisso é assim tão grande que não possa esperar ele ajudar um brother.

É impossível não gostar de um povo que chama o garçom pelo nome, o chefe de brother, a faxineira de tia, o desconhecido de amigo, e o amigo de irmão.
Para o carioca todo mundo é família.
E é mesmo.

O carioca não sabe se vestir. Isso é verdade. Qualquer paulista dá de zero a 10 no quesito elegância.
Mas é porque carioca odeia formalidade. Gosta mesmo é de regata, bermuda e chinelo.
Elegância para o carioca é ser feliz. E que se foda a roupa que estiver usando.
Aliás, a preferência do carioca na verdade é a de ser feliz sem roupa.

É impossível não gostar de um povo que passa mais da metade do tempo pelado.

O carioca é aquele cara que está acostumado a temperaturas altas.
A rua é quente, a casa é quente, o carro é quente, o trabalho é quente, mas mais quente que a cidade só mesmo o coração do carioca.
Não vem com frieza pra cima do carioca não que ele detesta!
O carioca está sempre fervendo.
E se você não estiver preparado para tanto fogo, é melhor tomar cuidado pra não se queimar.

O carioca gosta de companhia.
Se for pra beber, que seja com companhia.
Se for pra comer, que seja com companhia.
Se for pra viajar, que seja com companhia.
Se for pra trabalhar, que seja com companhia.
Se for pra caminhar, que seja com companhia.
Até pra chorar o carioca chora com companhia.

Impossível não gostar de um povo que vê motivos em qualquer situação, boa ou ruim, para estar junto.
Se a vida tá boa ele se reúne pra comemorar.
Se tá ruim, se reúne pra esquecer.

Se você brigar com um carioca, depois de 10 minutos ele já vai estar te chamando pra tomar uma cerva bem gelada na São Salvador. Ou no bar do Adão. Ou no Jobi. Ou no Informal. Ou no pier da Lagoa. Ou em qualquer boteco pé-rapado que ele vai jurar que tem a cerveja mais gelada do Rio.
No RJ o que não falta é lugar pra beber e socializar.
E ao carioca o que não falta é disposição.

O carioca já nasce disposto.
Ele acorda cedo para trabalhar, mas no fim do expediente aproveita que ainda tá sol e dá um pulo no Posto 9 ou na Lagoa.
E você acha que acabou?
Acabou não.
Depois ele ainda dá um estica pra tomar aquele choppinho com os amigos.
Porque se tem duas coisas que carioca não resiste são choppinho e amigos.
Ama ambos. Igualmente, diz.
Mas eu suspeito que não.
Suspeito que carioca ama um pouquinho mais fazer amigos.

É invejável a facilidade que o carioca tem de fazer amigos.
Todo mundo é seu brother, seu parça seu leke, seu irmão.
Carioca abraça e beija sem vergonha, sem falsidade, sem pudor e sem pedir.
Te recebe de coração aberto, casa aberta e principalmente de braços abertos.
Ou você achou mesmo que é por acaso que o Cristo Redentor está no Rio de Janeiro?
Pode ter certeza que não é.

É impossível não gostar, não amar, não se apaixonar, não se encantar pelo carioca.
Só sendo louco. Ou carioca.
O carioca apesar de tudo tem síndrome de cachorro vira lata.
Falar mal da cidade e do povo é ‘bom dia’ pro carioca.
Mas já aviso que ele tem síndrome de mãe também, viu?
Fala mal do RJ perto dele pra você ver só.
Ele pode. Você não.
E se ousar ao menos concordar com alguma crítica, ele vira bicho.

Carioca é bicho.
Bicho selvagem. Bicho malando. Bicho bohemio. Bicho de bem com a vida.
Carioca é único.
Não quer ser ninguém além dele mesmo.
Porque é tão bom ser carioca que ele não é nem louco de querer não ser.
Carioca é carioca e só.
E alguém ainda vai duvidar de que precisa de algo mais?

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