[Divã DR] Devo insistir em um relacionamento tóxico?

28/05/2017
Postado por Divã DR

Da caixa de e-mail do Deu Ruim:

“É uma maneira inusitada de começar as coisas mas, temos que buscar novos resultados com ações diferentes, certo?

Eu tenho 23 anos, virginiana sofrida assumidamente! Conheci o fulano há um tempo atrás e ele é daquelas pessoas que te causam desconforto só de ficar perto (talvez já estivesse apaixonada desde o primeiro momento).
Éramos amigos no início, até o momento que nos beijamos a primeira vez. E eu sempre busquei ele de uma maneira diferente da dele, talvez, porque ele com 31, não desse tanta bola para meninas com 22 (naquela época).
Mandava mensagem. Chamava para sair. Dia após dia, todos os convites recusados.
Eu sabia que havia alguém extra, mas por qual motivo não tentar?

Depois de uns meses na mesma turma de amigos (isso depois de já termos ficado), meu celular vibra e o coração dispara com uma mensagem que me convidada furtivamente para sair, tranquilo.

Saímos e foi um desastre.
Ele cavalheiro, pagou todas as contas e no final, ainda me levou para casa pois eu estava com 39° de febre. Me deixou dormir até umas 04hs da manhã e se recusou a dormir comigo, porque era “intimidade” demais.
Dois dias depois, ele começou a namorar uma outra menina e meu coração foi extremamente despedaçado, nunca fiquei tão mal por alguém na vida.

Seis meses se passaram. Nos reencontramos no Natal e nós não conseguimos ficar em um ambiente juntos por muito tempo pois algo explode e fala por nós. Eu não sabia se ele estava com alguém, mas decidi arriscar. Ficamos naquela noite e no outro dia ele me mandou uma mensagem.
Como era final de ano, meus parentes estavam em minha cidade natal e acabamos indo ao MC Donald’s comprar um sorvete, quando entro no estabelecimento adivinhem quem estava lá? Sim, o grande babaca da minha vida (eu ainda o amo, confesso) e o melhor de tudo? Com a namorada de seis meses atrás!
Pensei que não pudesse sofrer mais, todavia, descobri que posso sim!
Meu coração tinha sido dilacerado.

Mas para encurtar a história, ele acabou terminando com a moça e decidimos ficar juntos (poderia eu, estar mais feliz?).
Ele-quase-32 e eu-quase-24 somos atraídos por algo que talvez, seja minha teimosia, talvez seja meu medo, mas, sempre insistente, ele me disse que poderíamos ir devagar (oi? logo eu, 08 ou 80?) e eu dei o meu máximo para aquilo, até que ele me levou para conhecer a mãe dele. Passamos um final de semana maravilhoso e acabei esquecendo meu note por lá (isso fazia 02 meses que estávamos juntos).
Ele sumiu por 02 longas semanas. Não nos víamos mais, mas para ele isso era normal já que “a vida se leva devagar e tem um fluxo certo para acontecer, não aceleremos as coisas”. Em um domingo, nosso amigo em comum me mandou uma mensagem assim:
“Ô cabeça! Seu note tá comigo, depois pega aqui.”

Meu mundo havia caído de novo e eu não entendia o por quê daquilo estar acontecendo comigo, logo eu, que não cobrava, não ficava em cima.
Mandei uma mensagem perguntando e depois de várias vezes sendo visualizada e não respondida, decidi que iria seguir em frente (mesmo triste por tudo o que aconteceu) e não o procurei nunca mais.

Se passaram 02 meses e eu sofri agoniada dia após dia, segundo após segundo. Parecia que o mundo não era tão legal com ele ali, sabe?

Semana passada resolvi mandar uma mensagem e tentar uma reaproximação. Estamos conversando bastante (não todos os dias), então, por que não chamar pra sair?
Mandei mensagem na segunda. Ele não podia.
Terça ele me chamou pra sair.
Fomos lá para casa, discutimos e colocamos em pratos limpos todos os assuntos pendentes.
Antes de ficarmos, ele me disse:
“Você sabe que vou te magoar, que sou uma pessoa tóxica, então por que você ainda insiste?”
No dia, eu não dei bola, porque o que eu mais queria era ter ele de volta, ali. Na terça-feira, 23 de Maio, tudo estava bem.
Ele não quis dormir lá em casa, então acabei levando ele de volta.

No outro dia, aquela pergunta não parava de martelar na minha cabeça, porque eu não conseguia deixar as coisas “fluírem”. Eu quero ser a escolha. Eu quero ser amada. Então, se ele não gosta de mim, por qual motivo ele ainda insiste também?

Hoje, 25 de Maio, eu estou em pedaços porque não consigo seguir em frente, mesmo sabendo que é preciso, nossa história inacabada me assombra todos os dias com as possibilidades de um futuro que não sei se virá.

A pergunta que não quer calar é: será que ele insiste tanto quanto eu?


 Marina responde:

Querida envolvida-em-um-relacionamento-tóxico,
a resposta para a sua pergunta é bem simples:
não.

Pronto. Fim da resposta. Até o próximo post.
Bye bye

Brincadeirinha.

Bem, vamos lá. Antes de entrar especificamente no seu caso, deixa eu te falar sobre como o amor age em nosso cérebro.
O amor ativa o mesmo sistema que a dependência de drogas viciantes também ativa, como cocaína e heroína. Ele aumenta os níveis de dopamina, um neurotransmissor popularmente conhecido como “centro do prazer”.
A dopamina funciona no seu corpo como uma recompensadora. Você dá a ela o objeto de prazer e ela te recompensa com prazer e euforia.
E às vezes o objeto de prazer da dopamina é uma droga, um esporte, um trabalho, ou uma comida. Mas outras vezes é uma pessoa.
É por isso que viciados em drogas, mesmo sabendo o mal que elas fazem, não conseguem se livrar.
E é por isso também que você, viciada nesse carinha que te trata feito bosta, sente que não consegue ficar sem ele.
Maldita dopamina!

Livrar-se de um amor que nos machuca tem que ser tratado igualmente como uma abstinência de drogas. É um dia de cada vez. Um passo por vez. Uma conquista por vez.
A abstinência machuca, é difícil e por vezes dura mais do que o esperado.
Não se sinta mal por ter recaídas de vez em quando. Todo mundo passa por isso com algum vício na vida. Você é humana, e como humana é falha. Vai acontecer de você escorregar vez ou outra, mas o importante é manter-se firme na decisão de se livrar desse vício, que para você é esse carinha-cocaína.
Ele é tão viciante quanto perigoso.

O que não pode é você se enganar e fingir que esse cara que tanto te faz mal, não faz lá tão mal assim.

Se tem uma coisa certíssima que esse cara te falou, é o fato dele ser tóxico. Sim, ele realmente é, e eu posso te garantir que não existe a menor possibilidade de algum relacionamento entre vocês dar certo.
Porque pessoas tóxicas não fazem bem.
Entenda isso!

Eu sei que você o quer, que você o ama, que você tem muita vontade de fazer dar certo, e que a sua dopamina tá aí dentro de você gritando para mais um diazinho, mais uma noitezinha, mais uma mensaginha, mais um beijinho, mas será que vale a pena?

Será que vale a pena uma única noite de prazer, para depois passar por dias, semanas e meses de dúvidas, esperas e decepções?
Eu acho que não.

Para ele, a situação é extremamente comoda. Sempre que ele te quer, ele te tem. É só ele ligar, mandar mensagem, assoviar que lá vem você correndo para os braços dele como um cão adestrado.
Ele pode te ver sempre que ele quer, porém a recíproca não é verdadeira. Você não pode vê-lo sempre que você quer. Está mais do que claro quem é a pessoa que tem o total poder sob essa relação.

Em relacionamentos tóxicos e desfuncionais, sempre tem um que domina e outro que só se fode. Infelizmente nesse caso a pessoa que só se fode é você.

Menina, o amor não é isso. O amor é uma coisa incrível, linda, sublime.
Mas todo o potencial que ele tem para fazer bem, tem também para fazer o mal, para machucar. Tudo depende de nós.
Tudo depende do quanto deixamos outras pessoas influenciarem em nossas vidas.
Você está deixando esse carinha tóxico influenciar a sua vida mais do que deveria.
Mude o seu foco e você começará a ter resultados mais equilibrados e funcionais.

Sinto muito em te dizer isso, mas você precisa largar desse vício imediatamente.
A notícia ruim é que não será fácil, mas a notícia boa é que você sem dúvida nenhuma vai conseguir.

Sabe, já me envolvi mais do que uma vez com pessoas tóxicas. Em meu último relacionamento tóxico tenho uma lembrança que ilustra perfeitamente o caso.
Depois de uma das milhares de brigas que tínhamos, ele me ligou e pediu para me ver. Como o bichinho adestrado dele, eu fui correndo. Achei que dessa vez íamos pra frente, que ele estava arrependido, que havia percebido a mulher maravilhosa, dedicada e apaixonada que eu era.
Enquanto estávamos juntos, eu disse que gostava de verdade dele, e como resposta obtive um seco e direto “mas você não deveria”.
Preciso nem dizer o quanto essa frase me destruiu, não é?
Foi ali que eu percebi que não importasse o quanto eu lutasse, me esforçasse, me dedicasse a ficar com aquele cara, ele nunca me faria bem.

Porque mesmo a gente já sabendo que um relacionamento azedou, achamos que a insistência mudará alguma coisa? É só nos descuidarmos um pouco que a paixão nos deixa tão tão tão cegas, não é?

Mas bem, terminando a história, ela teve final feliz. O mais feliz de todos: eu me livrei desse embuste e fui ser feliz sem ele.
Doeu na hora. Doeu demais ter que desistir dele, mas foi só nessa dor incabível, nessa queda altíssima que eu pude catar pelo chão meus caquinhos despedaçados por ele e então realmente me erguer novamente.

Posso dizer, com propriedade no assunto, que eu segui em frente e hoje em dia ele não passa de um passado que só serviu para eu amar ainda mais a mim mesma. Depois disso eu aprendi a nunca mais deixar carinha nenhum me tratar com menos do que eu sei que mereço. E é por isso que eu digo com convicção: se eu consegui, você vai conseguir também.

E quanto ao carinha tóxico… Bem, foda-se ele. Vamos focar em quem realmente interessa aqui: vamos focar em você.
Combinado? O foco agora é único e exclusivo em você.
Você vai conseguir!

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