Detalhes infinitos

31/01/2017
Postado por Denis Araujo

Quando disseram que alguns infinitos são maiores que outros, não duvidei. De todos os infinitos, gosto daqueles que se escondem nos detalhes.

Como os nossos detalhes. Os nossos infinitos, que os encontro quando você sorri assim, intenso. Não falo daqueles risos de canto de boca que, aliás, também gosto. Estou falando daqueles dentes que se juntam esparramados e formam uma estrada alegre no seu rosto, que começa na cova da sua bochecha esquerda, faz a curva no centro dos seus lábios doces e termina no seu lado direito, ao lado dessa pinta em forma de coração que você teima em dizer que é só uma pedrinha qualquer. Mas não, é coração.

Você é daquelas pessoas que sorri com os olhos e que gosto tanto. Você, aliás, diz tanto quando está sorrindo que não precisa sequer abrir a boca para me contar coisa alguma. Gosto quando me olha assim, como se soubesse tudo sobre mim e, ao mesmo tempo, precisasse de uma enciclopédia para me explicar.

Gosto das ondas que se formam no teu cabelo perto da franja e em como você se irrita quando o cabelo não acorda como gostaria. Gosto do seu cabelo. Do cheiro dele. De passear com meus dedos entre eles. De puxar eles de vez em quando, ou quase sempre. Ou só quando você deita sobre mim e deixa eu acariciar um pouco mais sua nuca enquanto assistimos aquele filme que você diz ser o máximo.

Adoro quando escolhe um filme. Aquele filme francês que só você viu, nessa sua ternura hipster de dizer que é um filme que poucos assistiram porque é conceitual demais. Artístico demais. Não é clichê. Como você, sem clichês aparentes. Só aquela sua camisa xadrez vermelha que te amarra na cintura e te abraça como quero te abraçar às vezes, te puxando para perto de mim.

Gosto da sua voz me contando sobre seu dia. Gosto também quando ela falha às vezes e você ri a cada vez que isso acontece. Gosto de quando canta no chuveiro. Gosto de quando o refrão em inglês se torna uma mistura de sílabas embaralhadas por ter esquecido a letra. Odeio quando me pede para cantar junto, mas gosto quando me pede. Amo quando cantamos Evidências no karaoke da Liberdade e você diz que é para isso que os karaokes existem: para cantar Evidências. E gosto quando a gente ri disso, de doer a barriga e perder a voz.

Gosto das evidências dos teus infinitos detalhes. Gosto de como cada linha de expressão sua conversa com cada verbo meu. Gosto de como lhe faltam alfabetos para dizer o que sente sobre a vida ou de como você parecer ter todos eles para dizer o que não sente. Gosto quando me ouve, bem perto, como se soubesse sempre o que me dizer nos dias difíceis. Gosto quando o mais difícil é cozinhar no domingo à tarde, saindo da preguiça do sofá.

E gosto muito que não exista nada entre nós. Fico feliz por gostar de todas essas pequenas coisas e não precisar ter você comigo. Me sinto leve por saber que temos tudo isso e não temos nada. Porque amar é fácil, mas não é só de amor que estou falando. Falo da liberdade dos nossos dias. De não termos preocupações entre o bater de portas e o telefonema vez ou outra chamando para jantar.

Aquele que falou que o amor está nas pequenas coisas acertou em cheio. Afinal, também é só um detalhe o fato de não nos querermos por perto o tempo todo. Só de vez em quando.

E é disso que estou falando: detalhes!

Detalhes infinitos.

E eu gosto de todos eles.

Os textos deste site pertencem exclusivamente aos seus autores e estão protegidos por copyright. É proibida a cópia integral ou parcial do seu conteúdo, sem a autorização prévia do autor, mesmo que citando a fonte.

Deixe seu comentário: