Deixar ou ser deixado?

08/07/2016
Postado por Marina Barbieri

dogalone

Sempre tem alguém pra pagar de superior e dizer que dói mais deixar do que ser deixado. E o meu pensamento é sempre o mesmo: Nem fudendo!

Por mais carinho, respeito e compaixão que você tenha pela outra pessoa, você está escolhendo deixá-la. É a sua vontade e você decidiu que sua vida seria melhor sem aquela pessoa, então porque raios você sofreria por uma decisão que foi sua?
Eu sei, às vezes as pessoas deixam sem querer deixar. Às vezes se acaba não pela falta de amor, mas pela necessidade de não sofrer mais. Mas mesmo assim, a decisão ainda está sendo sua.
Ainda é você quem consegue enxergar um benefício no término.
E se você decidiu firmemente que a melhor opção seria deixar aquela pessoa, você está ok com isso, e que o outro saiba lidar com a dor dele. Porque essa pica não é mais sua.

Ser deixado é completamente diferente. Ser deixado te dá as duas piores sensações do fim de um relacionamento: a impotência e a rejeição.

Primeiro você começa a se sentir completamente impotente.
Não há “posso melhorar”, não há “vamos tentar mais uma vez”, não há “o que está te incomodando?”.
Ela não está lá para melhorar o relacionamento, não está tentando consertar o que está errado.
Aquela pessoa tem certeza absoluta de que a melhor coisa para sua vida é não te ter mais nela. E não há nada que você possa fazer a respeito disso.
Você está apenas sendo avisado de uma decisão que já foi tomada e você não foi convidado nem para participar da mesa redonda.
Lide com isso!

Depois você começa a se sentir um cocô grande, verde e gordo.
Você levou um pé na bunda, foi pra lua, voltou, e ainda caiu de cara no chão. Não tem auto estima que resista.
Então você começa a se sentir feio, gordo, burro, cafona, escroto, sem graça, e a lista é loooonga.
É como se você tivesse sido um projeto de Meninas Super Poderosas só que ao contrário. Uma mistura de açúcar, tempero e tudo que há de ruim. Nem elemento X, para se sentir minimamente especial, teve. Porque a última coisa que você consegue se sentir agora é especial.

E aí você, que foi pego de surpresa, além de ser obrigado a lidar com o fato de não ter mais aquela pessoa, tem que aprender a lidar com a rejeição também.
Como se uma só já não fosse ruim o suficiente.

Qualquer coisa que você faça a partir daí será para superar ou a rejeição, ou a perda, ou os dois.
Seja lá qual caminho você escolher tomar; o celibato, a putaria, outro amor, o trabalho, as amizades, os estudos, a família; tudo será sempre com o mesmo intuito: o de esquecer.

E é quando você tenta reconstruir tudo o que você era e tinha que as coisas começam a desabar mais ainda.
Se você se mostra fraco, abalado e deprimido, o ego grita forte, e você cai no erro de achar que não deve demonstrar fraqueza para o outro lado não se vangloriar, mesmo sabendo que você não deve porra nenhuma a ninguém. Muito menos a alguém que não te quer mais.
Se você tenta passar uma imagem de pura felicidade e precoce superação, uma hora acaba percebendo o papel ridículo e deprimente que está se prestando, porque qualquer ação que você tome, será sempre remetida a imagem de o-coitadinho-que-foi-deixado.
E não tem muito como sair disso.
Você realmente foi deixado e seja lá qual forma otimista você ache para enxergar isso, nada mudará o fato da sua bunda ter sido chutada o mais longe possível.

Por pior que seja a situação do término, é sempre pior quando quem está tomando no cu é você.

Os textos deste site pertencem exclusivamente aos seus autores e estão protegidos por copyright. É proibida a cópia integral ou parcial do seu conteúdo, sem a autorização prévia do autor, mesmo que citando a fonte.

Deixe seu comentário: