As 8 provas após o fim

08/10/2015
Postado por Marina Barbieri

força interior

Chegou ao fim.
Não há mais nada a ser feito, não há mais nada a ser falado.
Agora é você e as suas lembranças e mais nada nem ninguém.
Uma merda, não?
Uma enorme e fétida merda, mas assim é a vida e você não pode simplesmente dormir pelos próximos meses até que toda a fase de fossa passe e então acordar um belo dia novinha em folha, sem nenhum fantasma do passado e pronta para amar novamente.

Você vai ter que viver cada fase lixo após o término.
E a vida é escrota. Ela te joga na cara, em cada oportunidade que tem, justamente o que você se esforça para esquecer: o fim.
Ela te testa e você tem que passar no teste.
Encare como uma prova da vida onde o prêmio final é a sua paz.
Então cate os seus pedaços do chão, erga a cabeça e passe pelas provas após o fim da melhor forma que conseguir.

1- Se cuida!

Não tem nada que machuque mais do que ser tratada da forma mais fria possível pela pessoa que dentro de você ainda é quente, muito quente, pelando, quase queimando.
Enquanto você se controla para não chorar, gritar, babar, cair no chão, rastejar e implorar por uma reconciliação, o outro lado é puro desdém.
Ouvir um “se cuida” nada mais é do que ouvir um “eu não desejo o seu mal, mas também não farei nada pelo seu bem. Se cuida, porque eu não cuidarei mais de você.”
Dói, né?

2- Os amigos que ainda não sabem

Fim não vem com aviso no jornal.
Vocês acabaram, mas até que todos os amigos, familiares e conhecidos saibam, leva um tempo.
E as pessoas perguntarão a todo instante por ele.
A cada festa, a cada encontro, a cada esbarrão na rua, enfiarão involuntariamente o braço inteiro na sua ferida ainda escancarada e latejante.
E haja sanidade para mais uma vez sorrir e dizer educadamente que vocês não estão mais juntos e torcer para que o assunto termine aí para que você possa se retirar e ir no banheiro chorar agarrada com a amiga privada.

3- Tudo lembra ele

Todas as pessoas na rua te lembrarão de quem você quer esquecer.
Uma roupa, um calçado, uma tatuagem, uma barba, uma voz, um cheiro.
Em cada detalhe de pessoas que não são ele, lá está ele.
Todos os objetos te lembrarão dele.
A cama em que vocês dormiam juntos, a cadeira em que naquele dia ele disse uma frase marcante, a cômoda em que ele num outro dia se encostou e te olhou tão fixamente que você achou que seu coração explodiria, a caneca que ele costumava usar e tudo mais que passou a ser um pedaço perdido que restou do que não existe mais.
A sua própria casa virou um campo minado de emoções.
Não tem escapatória.
Você quer fugir, você quer se mudar pro Alaska, você quer ir para onde não há mais ele.
Mas aqui vai a realidade: ele não está nos objetos e nem nas outras pessoas, ele está dentro de você.
E não há fuga que consiga apagar o que vocês mesma insiste em não deixar ir.
Você vai ter que enfrentar.

4- Está tocando a música de vocês

Todo amor tem trilha sonora.
O de vocês também teve e por mais que você tenha deletado a música de vocês do seu computador, do celular e tenha jogado o CD fora, essa música não te deixará em paz.
Quando você entrar no carro e ligar o som será essa a primeira música a tocar.
Quando você entrar num taxi, numa loja, num elevador, na sala do seu chefe, a tal música estará te esperando para esfregar na sua cara que acabou.
E você terá que inventar forças para não quebrar o rádio, o carro do taxista e nem a cara do seu chefe. Mantenha-se sã.
Por favor, não metralhe um shopping inteiro. 

5- Os objetos que simbolizam ele

Você não pode obrigá-lo a permanecer ao seu lado.
Ele é um ser humano e possui livre arbítrio, mas os objetos não.
Então você repassa a sua vontade de prendê-lo a você, aos objetos.
Pode ser uma carta, um presente que ele te deu, um elástico que ele usou, a rolha do vinho que vocês beberam no último encontro, uma peça de roupa que ele esqueceu ou qualquer outra coisa em que você depositará um significado gigantesco porque para você, aquele objeto é um pedaço dele.
E você se pegará olhando a todo momento para esses objetos e revivendo todos os momentos maravilhosos que passaram.
Quer um conselho? Jogue fora!
Não mais tarde, não outro dia.
Agora!
Levante da cadeira e jogue tudo fora.

6- Saber que a fila andou

Uma hora a fila vai andar.
Você está preparada para isso?
Por mais que você se prepare, por mais que você imagine que já possa ter andado, ter a certeza é sempre uma queda.
Ver uma foto, ouvir um comentário, ter alguma prova irrefutável de que você foi substituída é como ter uma faca enfiada no coração.
E você o imaginará beijando ela como te beijava, abraçando ela no meio da madrugada como te abraçava, falando pra ela o que falava pra você, rindo com ela como ria com você, apresentando para amigos e família como fez com você.
Ele arrumou uma nova pessoa para calçar os seus velhos sapatos enquanto você continua descalça sentindo o chão frio do seu apartamento vazio.
E não há absolutamente nada que você possa fazer em relação a isso.
Seguir em frente é doloroso, mas seguir em frente por último é insuportável.

7- Conhecendo outras bocas

A fila já andou para ele e uma hora ela também tem que andar para você.
Você empurrará o seu corpo fora da cama para ir ao trabalho, a faculdade, a casa da sua mãe, aos encontros com os amigos.
Você virará um zumbi que continua falando, andando e fazendo tudo o que fazia antes, mas completamente vazia por dentro, porque o mundo não para esperando que você se reconstrua.
Ele continua a girar e você tem que girar com ele.
Queira você ou não.
E isso também inclui encontros.
Você sabe que não pode simplesmente se fechar eternamente para o resto do mundo.
Então mesmo não estando tão assim de acordo, começa a sair com outras pessoas.
Você conhece novas bocas, novos papos, novas manias, novos corpos, novos lugares, novas qualidade e novos defeitos.
Você vai comparar, você vai procurar ele nos outros, e ninguém te será bom o suficiente, simplesmente porque ninguém é ele.
Você descobrirá qual é o gosto das bocas que não são a dele.
E é amargo.

8- As lembranças

Você tem que ocupar a sua mente.
Qualquer pessoa poderá te falar isso.
Você vai trabalhar muito, vai sair muito, vai se viciar em algum novo jogo, droga, hobby, esporte ou em qualquer outra coisa que não te fará pensar nele por um dia, por uma hora, ou nem que seja por um segundo.
Mas o que ninguém te fala é que todas as noites, quando você deitar a cabeça no travesseiro, naqueles agoniantes minutos antes de pegar no sono, as lembranças te atropelarão e por mais que você as tenha evitado durante todo o dia, você não pode fugir pra sempre.
Uma hora você vai ter que aprender a lidar com elas.

E a notícia boa é que independente de quanto tempo demore ou do quão doloroso seja esse caminho, um dia você vai acordar e perceber que aquele dia é diferente dos outros.
Aquele é o dia em que você finalmente aprendeu. E agora as lembranças não te afetam mais.

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