Ansiedade crônica

16/05/2017
Postado por Denis Araujo

Já perdi a conta de quantas vezes já peguei no celular e olhei pra tela dele com os olhos apertados no meio da noite. Já perdi a conta de quantas vezes olhei pra tela apertada de olhos bem abertos no meio da noite com o celular na mão. Já me perdi e me encontrei uma porção de vezes essa noite. E aqui sou eu tentando me achar outra vez.

Porque quando a ansiedade bate, bate forte. Bate na cabeça, no rosto, no peso dos ombros e no peito quando bate. E bate forte. Bate no tic tac do relógio. Bate no lado esquerdo feito bomba relógio, no direito feito remo de barco navegando em águas difíceis. E por falar em relógio, às vezes acho que ele parou um segundo no meu suspiro, dois na minha mudança de lado do travesseiro. E correu. Correu como maratona. Pisquei os olhos de noite mal dormida e o dia já amanheceu. O relógio, esse malandro, nem pra me esperar conseguir dormir.

Dormi mal essa noite pensando em tudo aquilo que fiz, pensando em tudo aquilo que devia ter feito. Dormi mal essa noite pensando em tudo aquilo que não fiz, em tudo aquilo que você queria que eu fizesse. E se eu tivesse feito, será que você teria gostado? E se eu tivesse feito bem feito, será que teria sido suficiente para mim? Mas e se eu tivesse te dado oi naquele dia, você teria me dado adeus? Eu queira ter feito. Eu não queria ter desejado. E amanhã, o que vai ser? E se eu simplesmente fechasse os olhos agora? Sabe, tentei dormir sete vezes, a insônia me deu um abraço em oito e a ansiedade me afogou em nove. Me afogou em oceano profundo, me fez perder meus sapatos, meus lindos sapatos. Onde foi que deixei meus sapatos jogados na sala? Será que os guardei de volta na caixa?

Um respiro, minha mente não me deixa. Não quero pílulas, mas ei de tomá-las com chá de desculpa. Desculpa pra mim mesmo. Tão difícil quando as mãos formigam, não se acham e se perdem na escuridão. Tão difícil querer responder as perguntas que nem sequer foram feitas. E nossa, por favor não me faça perguntas, eu não vou saber respondê-las. Não tenho como respondê-las. Talvez eu nem mesmo queira. Talvez esteja fazendo tempestade em copo d’água, mas meu copo é do tamanho de uma piscina de mil litros e a tempestade é feito um furacão, desses que bagunçam meus papéis em cima da mesa, me fazem misturar talão de cheques com cartas para minha família e com os boletos pra pagar.

Por isso toma aqui um snorkel, quem sabe isso te ajuda a sair desse sufoco. Respire fundo, puxe o ar. Respire fundo, você não está sozinho. Aqui tens alguém que fala sobre amor, a respeito de tudo que você ganhou com ele e tudo que você perdeu por ele. E até mesmo nas noites mais difíceis, falo ao teu ouvido. Você não está sozinho. A crônica da ansiedade é sobre você, sobre mim e sobre todos nós. Mas ó, é segredo nosso. Não conto. Porque só de pensar em contar, lá se vai outra noite sem dormir.

Os textos deste site pertencem exclusivamente aos seus autores e estão protegidos por copyright. É proibida a cópia integral ou parcial do seu conteúdo, sem a autorização prévia do autor, mesmo que citando a fonte.

Deixe seu comentário: